O Conto da Floresta Desencantada



Havia, em uma floresta, um reino encantado onde viviam pássaros e animais de diversas espécies: macacos, micos, coelhos, tartarugas e muitos outros. Naquela floresta, os bichos trabalhavam como empregados e empreendedores. No início, tudo era uma bênção; todos caminhavam para um só propósito: alcançar a Grande Floresta do Além. E aqui começa a nossa pequena história, que se torna grande.
No princípio, surgiu um casal de ovelhas que anunciava algo diferente aos ouvidos daquele povoado. Pregavam que um Grande Rei veio e deixou uma palavra para cada um: amar ao próximo como a si mesmo. Todos gostavam das histórias contadas pelas ovelhas, que tinham o dom da palavra. Elas falavam também de uma cidade no céu onde os bichos que adorassem ao Grande Leão seriam arrebatados para um lugar de paz e alegria.
O povo da floresta cresceu, e a congregação dos bichos também. Vendo que era algo bom, eles começaram a ajudar com tudo o que podiam. Na congregação, o chefe maior era um velho cágado de cabeça branca, muito inteligente, que pregava sobre o amor do Leão. Porém, o "Tartarugo-Mor" cercou-se de falsos amigos que enchiam seus ouvidos com fofocas, e ele, infelizmente, apreciava aquilo.
Havia, entre os bajuladores, um pequeno rato que nutria a ambição de um dia tomar o lugar do mestre. Ele dizia para si e para os mais próximos: "Este velho não vai durar para sempre; temos que nos cercar de quem nos permita desfrutar desta floresta".
Os olhos do rato, mesmo quando repartia migalhas, miravam um futuro ambicioso e maligno. O mal já havia tomado sua cabeça e seu coração. Um dia, o Tartarugo chamou o rato e disse: "Você precisa mostrar serviço para o Coruja". O Coruja era o líder de uma floresta vizinha. O "Ratão" foi ao encontro dele e lá pegou no pesado, pois, naquele tempo, o bicho que desejava ser líder precisava mostrar trabalho. O rato trabalhou tanto que foi reconhecido pelo Coruja, que lhe disse: "Muito bem, rato. Você foi bom aqui; eu o recomendarei ao Tartarugo-Mor". Assim, o Ratão voltou para sua antiga floresta após dois anos de sacrifício.
O Tartarugo-Mor era amigo do Ratão, mas não lhe dava poder facilmente. Um dia, chamou-o e disse: "Meu filho, você precisa arrumar uma noiva e casar se quiser ser um líder entre nós". Para o rato, aquilo foi surpreendente, mas esperado; ele queria ser igual ou melhor que o mestre.
Casou-se com uma ratinha, teve dois filhos e logo assumiu o cargo de líder. Era um "pau-mandado" que fazia o que os outros não tinham coragem de fazer. Cresceu no ministério cercado de puxa-sacos e bajuladores. Ele não valorizava amigos fiéis — achava que isso era coisa de bobo. Queria ratos sujos ao seu lado para realizar maracutaias. Saiu de uma floresta, foi para outra, e começou a se envolver com políticos da pior espécie. Recebeu um convite para uma seita secreta que prometia o melhor para ele e para o seu "ministério de araque". Ele aceitou na hora, fez a iniciação e achou tudo normal, dividindo-se entre o ministério da tartaruga e os seus próprios interesses escusos.
Os anos passaram e o Ratão tornou-se cada vez mais esperto. Agora, como presidente da convenção dos bichos, mandava e desmandava. Recebia títulos, homenagens, medalhas e todas essas vaidades. Quando o Tartarugo-Mor finalmente morreu, o Ratão ficou inquieto, querendo seu lugar. Porém, colocaram um Lobo Velho na floresta principal. O Lobo tinha um filho adotivo, um lobinho que estava sempre com ele. Passados alguns anos, o Lobo Velho adoeceu e morreu. Assumiu, então, o Raposão — pequeno em tamanho, mas de uma ganância enorme. Era um bom administrador e pregador cheio de sabedoria, mas usava seu dom apenas para o mal.
Certa vez, o Raposão passou mal e foi para o hospital real. Avisaram que ele morreria, mas, por um milagre, ele voltou. O clã dos bichos ficou furioso, mas ele retornou com toda a força, ganhando todas as eleições de diretoria. Seu salário era milionário; administrava tão bem que ninguém desconfiava que ele roubava dos bichos para enriquecer. O Ratão já pensava em se aposentar, mas o destino lhe reservava uma surpresa.
O Raposão sempre gostou de "comer galinhas". Tinha até um galinheiro particular. Mas uma galinha gorda em especial o enfeitiçou, e ele se apaixonou perdidamente. A confusão começou quando a "galinha gorda" quis ser chefe no lugar da esposa do Raposão. O escândalo foi descoberto pelas malditas redes sociais. O Raposão negou tudo, mas não adiantou: foi destituído do cargo.
Quem foi chamado para assumir? O Ratão. Ele veio radiante: "Consegui! Sou o maior!". Juntou-se com outras ratazanas e agora está no poder, fazendo e desfazendo. A floresta está triste faz tempo. Desde a morte do velho Tartarugo, não há uma liderança honesta que pense nos membros. Os ratões administram a floresta para si mesmos e para os seus. Infelizmente, ou felizmente, isso é apenas mais um conto da floresta encantada.
"Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência."
dezembro de 2025




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